sexta-feira, 15 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feliz Dia das Crianças



Desejo um FELIZ DIA DAS CRIANÇAS a todas aquelas pessoas que, não sendo mais crianças, carregam dentro de si a possibilidade de sonhar o impossível; de se tornar super-herói para salvar o mundo; de conquistar o coração de uma princesa; e se princesa for, que o príncipe encantado derrote o vilão para ficar com ela; de sentir medo no escuro; de fazer coisas bobas; de chorar assistindo um filme infantil; de sorrir e encantar a todos; de fazer apresentações para ninguém; de falar com voz infantil; de ficar de pijama o dia inteiro só assistindo TV e comendo doces; de andar de carrossel; de sentir um frio na barriga no alto da roda-gigante; de brincar por brincar; de adorar tomar banho de chuva, caminhar de pé descalço, fazer dengo, fazer "arte"... E, para homenageá-las, segue o clip da música "Superfantástico" do BALÃO MÁGICO!!!
Abraços e beijos,

AMatzenbacher

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dalí


"O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a loucura".


Salvador Dalí

sábado, 9 de outubro de 2010

Encontros desencontrados



Oh, Princesa dos Céus e Rainha dos Infernos!
A intensidade de tuas curvas nada significam
quando os traços de teu rosto formam esse sorriso
aclarado pelo teu olhar negro e penetrante. 

Então, se eras tão doce, como pôdes agir assim?
Após incendiar o meu corpo
copiosamente com o fogo do teu amor?
Como podes negar o que teus olhos imploram efervescentemente?

O ardor daquelas tardes de sol,
na lembrança da chuva que escorria
por detrás da janela do meio-dia
em plena proibição moral.

A hesitação do encontro de nossos corpos
gerava aquela violenta excitação,
que só se esgotava com a devassidão
profunda nas nossas complexas almas.

Quando és Princesa, estou no inferno!
Quando és Rainha, estou nos céus!
E esses encontros desencontrados
irradiam na perseverança da memória.

AMatzenbacher 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pequenas Mortes


Logo após as minhas pequenas mortes,
uma Sibéria enorme desliza em minha pele:
são os desencontros quando te encontro
- e fecho os olhos
sentindo o teu abraço leve.

Logo após as minhas pequenas mortes,
sou escaleno, escuro, esfera:
ex-fera,
pálido, na caminhada
- e fecho os olhos
implorando os teus afagos.

Logo após as minhas pequenas mortes,
não desejo o momento eterno,
e sim a morte e o tempo,
carcomidos pelo gozo do espanto,
sem prantos ou mungangos,
só encantos
- e fecho os olhos
querendo sempre o fim.

Logo após as minhas pequenas mortes,
uma vontade enorme
- e fecho os olhos
querendo um simples beijo.


Eduardo Pragmácio Filho, in "Oblívio da Ilusão".

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sensações


Eles haviam combinado de se encontrar na praça central da cidadezinha. Nesse dia, tinha uma manifestação, mas não sabiam a razão dela. O fato é que centenas de pessoas estavam nessa praça, balançando suas bandeiras de qualquer cor, algumas crianças tomando sorvete e outras comendo algodão doce, os risos e os sorrisos estavam estampados nas faces das pessoas que ali estavam, e o sentimento de alegria irradiava, gerando um sentimento-inconsciente-de-felicidade-plena.
Ele não sabia que ela já estaria lá, esperando por ele. Que ela teria se antecipado ao horário combinado. Ao passar o portão de entrada da praça (era uma dessas praças parecidas com a Plaza Mayor de Madrid, só que menor), de longe identificou, no canto coberto esquerdo da praça, onde costumeiramente ficavam dispostas as mesas dos dois cafés e um restaurante dessa praça, a mulher. Aquela mulher com aqueles olhos amêndoas, e aquele olhar possível e indizível somente a partir daqueles traços únicos e próprios de uma beleza delirante. Mas esses olhos estavam, fixamente, olhando outros olhos bem a sua frente. Mesmo sem perceber a presença dele ali, chegando na praça, esse olhar dela para o outro se apartou com uma frase, que ele não conseguiu entender. Ele tentou ler aqueles lábios pequenos, macios e sabor d’mel, mas não conseguiu, pois sua visão era lateral.
Ele apertou o passo, cruzou por aquele com quem ela trocava um olhar, olhou friamente nos olhos do outro, dando aquele recado com o olhar nada despretensioso sobre “a quem” pertencia(?) àquela mulher.
Aproximou-se dela, e de pronto a puxou pelos cabelos, na nuca, com uma pegada violentamente sutil, e a faz dar três passos para trás até esbarrar numa coluna logo atrás.
- Estás linda.
- É essa sensação que me deixa assim...
- O que estavas fazendo?  
- Olhando as pessoas.
- Umas mais do que outras?
Pausa para aquele olhar puro (ou mentiroso) e tranqüilizador, ainda com a cabeça inclinada, pois a mão dele ainda segurava seus cabelos e ele continuava a apertando, sutilmente, contra a coluna: - Não há com o quê se preocupar.
Com aquele olhar desconfiado, ainda que minimamente: - Não estou preocupado.
- O quê preciso dizer ou fazer para acreditar que és contigo que quero fugir?
Ele apenas a olha, fixamente, solta os cabelos dela, rendido por aquele olhar e pela forma com que escutava aquelas palavras... Não pensa. Não consegue pensar diante daquela presença inebriante... 
Ela segura o rosto dele, pousando aquelas mãos suaves e delicadas em sua face, olhando e dizendo: - Te quiero.

Ao fundo, o violão flamenco de Paco de Lucía, com a música “Rio Ancho”.

AMatzenbacher

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Deseo


Que la vida no vaya más allá de tus brazos.

Que yo pueda caber con mi verso en tuz brazos,

que tus brazos me ciñan entera y temblorosa

sin que afuera se queden ni mi sol si mi sombra.

Que me sean tus brazos horizonte e camino,

camino breve, y único horizonte de carne:

que la vida no vaya más allá... !Que la muerte

se parezca a esta muerte caliente de tus brazos!...


Dulce María Loynaz, in "Obra Lírica".
(Cuba)